Tarifa por ponto de embarque: o preço que muda com a origem do cliente

Terça-feira, 15h. Sua atendente está no WhatsApp com um cliente que quer transfer para a Ilha Grande. Ela sabe o preço de cor — é o que ela cota vinte vezes por semana.

Aí o cliente diz que está hospedado na Barra da Tijuca.

Ela hesita um segundo. Sabe que a Barra é mais longe, que o motorista vai sair mais cedo e rodar mais. Mas o número que ela tem na cabeça é o da Zona Sul. E o cliente está esperando resposta.

Ela manda o preço da Zona Sul e escreve para si mesma um bilhete mental: a gente ajusta depois.

O prejuízo que não aparece em relatório nenhum

Não é ajustado. Quase nunca é.

O cliente aceitou, pagou, o voucher saiu. Reabrir a conversa para dizer "na verdade é mais caro" arrisca a venda. Então a diferença fica — e sai do seu bolso.

O pior é que esse prejuízo não tem onde aparecer. Não é cancelamento, não é estorno, não é inadimplência: é uma venda completa com o valor errado. No relatório do mês, indistinguível de uma venda certa.

Os valores abaixo são hipotéticos, só para a conta ficar visível — use os seus:

Origem do embarqueTarifa por pessoaDiferença
Zona Sul → Ilha GrandeR$ 180,00
Barra da Tijuca → Ilha GrandeR$ 210,00R$ 30,00

Trinta reais por pessoa parece pouco. Num grupo de quatro, são R$ 120 numa venda só.

Se isso acontece três vezes por semana — e num receptivo que atende hotel espalhado pela cidade, acontece mais —, são R$ 360 por semana, R$ 1.440 por mês, R$ 17.280 no ano. Vazando trinta reais por vez, numa decisão tomada em um segundo.

Como cobrar transfer por região sem planilha paralela

A solução não é treinar a equipe para decorar mais preços. É tirar o preço da cabeça dela.

Na AssincTour, cada produto aceita quantas faixas de tarifa forem necessárias, e uma faixa pode representar uma origem de embarque — é exatamente assim que operações de receptivo usam. "Rio de Janeiro → Ilha Grande" é uma faixa; "Barra da Tijuca → Ilha Grande" é outra, com valor próprio.

Cada faixa carrega ainda validade (data inicial e final) e os dias da semana em que vale. É o que permite uma tabela de preços para transfer turístico de alta temporada conviver com a de baixa, sem ninguém trocar nada na virada — e sábado ter valor diferente de terça, na mesma origem.

Elas se combinam com as faixas que você já usa: por perfil (adulto, criança, gratuidade) e por período (fim de semana, alta temporada, feriado). Um embarque na Barra, num feriado, com uma criança, sai pronto — sem ninguém fazer conta.

O que o sistema não faz

O sistema não calcula preço por distância e não usa GPS. Não existe mapa que mede a quilometragem e sugere um valor. As faixas são cadastradas por você, uma a uma, com o valor que você decidiu.

É trabalho de configuração — algumas horas, uma vez. E é o que garante que o preço reflita a sua operação: o pedágio que só existe num trajeto, o motorista que sai 40 minutos mais cedo, a região onde o retorno volta vazio. Nenhum cálculo por quilômetro capturaria isso.

A mesma tabela nos três canais

Uma tabela de tarifa por zona só resolve o problema se valer em todo lugar onde você vende. Se o site usa a tabela e o balcão usa a memória do atendente, você só mudou onde o vazamento acontece.

As faixas valem nos três canais: site, balcão (PDV) e agente de WhatsApp. No WhatsApp, o comportamento é o que um atendente experiente faria: o agente pergunta de onde o cliente embarca antes de fechar o preço, e usa a faixa correspondente à resposta.

Repare que ele pergunta. Não adivinha a região pelo endereço, não deduz pelo nome do hotel, não chuta pelo DDD. Perguntar é mais lento em um segundo e mais barato em trinta reais.

Quando a faixa não existe para aquela data

Aqui está o detalhe que separa um sistema de tarifas de uma lista de preços.

Se o cliente informa uma origem sem faixa cadastrada para aquela data, o sistema recusa a cotação e devolve a lista de faixas válidas. Não pega a mais barata, não arredonda para a mais próxima, não deixa passar em silêncio.

Parece antipático, e é proposital. Cotação recusada vira uma conversa de trinta segundos com a sua equipe, que cadastra a faixa que faltava. Cotação errada aceita em silêncio vira o prejuízo do começo deste artigo, repetido até alguém perceber. Se é para falhar, que falhe barulhento.

A mesma cena, resolvida

Terça-feira, 15h. O mesmo cliente, a mesma Ilha Grande, a mesma Barra da Tijuca.

Agora quem responde é o agente no WhatsApp, e a primeira coisa que ele pergunta é de onde o cliente embarca. "Barra da Tijuca." O agente puxa a faixa correspondente, aplica o perfil de cada passageiro, confere a disponibilidade real e manda o valor com o link de pagamento.

R$ 210 por pessoa. O preço que você definiu, não o que alguém lembrou.

A atendente nem entrou nessa conversa — estava resolvendo um grupo de 18 pessoas, onde o tempo dela vale mais. E os R$ 120 daquela venda ficaram com você.

Resumo

  • Preço por região fora do sistema vira "a gente ajusta depois" — e quase nunca é ajustado;
  • Uma faixa de tarifa pode ser uma origem de embarque, com validade e dias da semana próprios;
  • O sistema não calcula por distância nem por GPS — você cadastra as faixas;
  • Valem no site, no balcão e no WhatsApp, e o agente pergunta a origem antes de cotar;
  • Faixa inexistente para a data faz o sistema recusar a cotação, não vender pelo mais barato.

Para o cálculo do preço em si, veja como precificar passeios e city tour. Para a operação que essas tarifas alimentam, a escala de transfer do dia.

O preço da Barra saindo como preço da Barra

Faixas de tarifa por origem, perfil e período — válidas no site, no balcão e no WhatsApp, com recusa de cotação quando a faixa não existe.