Quanto cobrar por um city tour: a conta do guia, do privativo ao grupo

Quanto cobrar por um city tour privativo de quatro horas? Você levou dez segundos para decidir: R$ 300, o que a operadora paga pela meia diária. O casal que chamou pelo Instagram fechou na hora. Rápido demais.

No dia, a conta foi outra. Quarenta minutos de conversa no WhatsApp antes de fechar. Uma hora até o hotel. As quatro horas de passeio. Mais quarenta minutos de volta. E a maquininha ficou com a parte dela.

Foram mais de seis horas de trabalho por R$ 300. A tarde ficou perdida, porque ninguém compra passeio para começar às duas e meia. E o casal ainda comentou que tinha achado barato.

Este artigo é a conta que faltou naqueles dez segundos. Ela começa pela diária que você precisa ganhar, separa privativo de grupo, explica por que o preço direto não é o cachê da operadora e termina no que fazer quando o cliente não aparece.

Por que o preço do guia costuma dar errado

Quase nunca é falta de cliente. É uma das armadilhas abaixo, e em geral mais de uma ao mesmo tempo:

  • Usar o cachê da operadora como preço de venda direta. Quando você vende direto, a venda, a cobrança e o atendimento passam para você, e o preço não acompanha.
  • Cobrar a hora de passeio, não a hora de trabalho. O cliente vê quatro horas. Você trabalha seis ou sete.
  • Fazer a conta do mês com 30 dias. Tem folga, chuva e terça de baixa temporada. A renda tem de sair dos dias vendidos.
  • Mesmo preço para privativo e grupo. No privativo você vende o seu dia. No grupo você vende uma vaga. São produtos diferentes.
  • Esquecer o que sai antes de chegar no bolso. Taxa do cartão, comissão de quem indicou, imposto.
  • Não cobrar nada antecipado. O dia fica bloqueado para um cliente que pode não aparecer, e você não tem como cobrar depois.

Quanto cobrar por um city tour: comece pela diária, não pelo passeio

Para chegar ao preço do seu city tour, calcule primeiro a diária que você precisa: a renda que quer tirar no mês mais os custos de trabalhar, divididos pelos dias que você realmente vende. Depois converta isso em preço pelo tempo total de trabalho, com conversa, deslocamento e espera incluídos.

Só depois olhe o que os outros cobram. Se o mercado paga bem menos que a sua conta, melhor descobrir agora do que no terceiro mês.

A conta, com números ilustrativos

Substitua pelos seus. O que importa é a estrutura:

  • Renda que você quer tirar no mês: R$ 6.000
  • Custos para trabalhar: celular e internet, transporte até o ponto de encontro, atualização e cursos, anúncio, contador, contribuição previdenciária e impostos. Digamos R$ 1.500. A parte de imposto e previdência depende de como você está formalizado, e quem fecha esse número é o seu contador.
  • Total que o mês precisa pagar: R$ 7.500

Agora os dias. O mês tem 30, você folga 8, sobram 22. Mas na baixa temporada você vende 10 desses dias, e na alta, 20. Use a média do seu histórico. Se ainda não tem histórico, seja conservador. Aqui, 14.

Diária necessária: R$ 7.500 ÷ 14 = R$ 536.

Quem divide por 22 chega a R$ 341. A diferença de quase R$ 200 por dia é o preço da terça-feira de chuva. Ela vai acontecer, e alguém precisa pagar por ela. Se não for o cliente, é você.

As horas que o cliente não vê

O passeio é só a parte visível do trabalho. Em volta dele ficam:

  • a conversa antes de fechar, que às vezes rende três orçamentos para uma venda;
  • o deslocamento até o hotel e a volta;
  • a espera no saguão, porque alguém sempre desce atrasado;
  • o intervalo entre dois passeios curtos, que raramente vira outro passeio;
  • o estudo de roteiro, de idioma e de novidade da cidade.

Por isso meia diária não é metade da diária. Se o passeio da manhã inutiliza a tarde, a meia diária precisa cobrir boa parte do dia. Uma referência para começar a testar é algo entre 60% e 70% da diária: no exemplo, entre R$ 320 e R$ 375.

O trade-off: se a sua cidade e a sua agenda permitem encaixar manhã e tarde com regularidade, cobrar 50% funciona e deixa o preço mais competitivo. Depende de quantas vezes, no último mês, a tarde foi de fato vendida.

Cachê de operadora ou cliente direto: por que o preço não é o mesmo?

O cachê da operadora é menor porque ela traz o cliente, vende, cobra, atende e assume o risco de cancelamento. No cliente direto, todo esse trabalho e esse risco passam a ser seus. Por isso o preço direto precisa ser maior. Não é ganância: é cobrar pelo que você passou a fazer.

As duas fontes são legítimas. A operadora dá agenda previsível e volume, mas paga menos e às vezes semanas depois. O cliente direto paga mais e na hora, mas exige atendimento, anúncio e paciência com quem pede orçamento e some.

A proporção certa depende da sua agenda. Se a operadora enche a sua semana, o cliente direto é margem extra nos dias vagos. Se ela manda pouco, o direto vira o negócio, e aí o preço dele precisa sustentar o mês sozinho.

Um cuidado: vender direto mais barato do que a operadora que te contrata vende o mesmo passeio costuma terminar mal. Leia o que o seu acordo com ela diz sobre isso. Se houver dúvida sobre o que o contrato permite, a conversa é com um advogado, não com este artigo.

Se você ainda está se formalizando para trabalhar com operadoras, vale ler o que muda para o guia de turismo credenciado no Cadastur.

City tour privativo: cobrar por bloco de horas ou por pessoa?

No privativo, cobre por grupo e por bloco de horas, não por pessoa. O seu custo quase não muda entre duas e quatro pessoas. O que muda é o tempo. Defina um bloco mínimo, um preço por hora extra combinado antes e um limite de pessoas a partir do qual o preço muda de faixa.

Com a diária do exemplo, uma tabela possível:

  • Meio período, até 4 horas, até 4 pessoas: R$ 375
  • Dia inteiro, até 8 horas, até 4 pessoas: R$ 536
  • Hora extra: R$ 80, combinada antes do passeio e não no meio dele
  • De 5 a 7 pessoas: nova faixa, porque o grupo exige outro veículo e mais atenção

Com veículo ou sem veículo

Se o passeio é a pé ou o cliente tem carro, o preço é o seu tempo. Se você contrata carro com motorista, o custo dele entra por cima. Há duas formas honestas de fazer isso.

A primeira é repassar o custo do veículo sem margem, às claras: preço mais baixo e transparente. A segunda é uma margem pequena sobre o veículo, que paga o risco de o motorista desmarcar na véspera e você achar outro, mais caro, em cima da hora. Depende de quanto esse risco já te custou.

Ingressos à parte

Ingresso varia com idade e dia, e o atrativo reajusta sem avisar. No privativo, deixe por conta do cliente e escreva isso no orçamento.

Quanto cobrar por pessoa num city tour em grupo?

No grupo, o preço por pessoa sai do custo total da saída dividido pela ocupação que você tem segurança de atingir, não pela lotação máxima. Some o custo por pessoa, como água e ingresso incluído, e reserve espaço para taxa e comissão. E defina antes o mínimo de pessoas para a saída acontecer.

O erro clássico é calcular com a van cheia. Com números ilustrativos:

  • Sua diária: R$ 536
  • Van com motorista: R$ 450
  • Combustível, pedágio e estacionamento: R$ 120
  • Custo fixo da saída: R$ 1.106
  • Custo por pessoa (água e lanche): R$ 30
  • Taxa do cartão e comissão de quem indicou, juntas: 14% do preço

Calculando para 12 pessoas, a lotação da van, o preço sai em torno de R$ 142. Parece competitivo. Mas com 8 pessoas a bordo: entram R$ 1.136, saem R$ 159 de taxa e comissão, R$ 240 de custo por pessoa e R$ 1.106 de custo fixo. O dia fecha com R$ 369 de prejuízo.

Calculando para 8 pessoas, uma ocupação que você atinge com frequência, o preço vai para cerca de R$ 196. Com 12 a bordo, o dia rende bem. Com 8, paga a sua diária e a operação.

A conta completa de ponto de equilíbrio, com custo fixo, custo variável e margem desejada, está em como precificar passeios e city tour sem perder margem.

Saída mínima: cancelar ou operar no prejuízo?

As duas são legítimas. Cancelar protege o caixa, mas irrita quem reservou e pode virar avaliação ruim. Operar no prejuízo protege a reputação, mas não aguenta muitas semanas seguidas. Quem está construindo avaliações costuma aceitar o prejuízo no começo; quem já tem demanda define um mínimo.

Seja qual for a escolha, escreva antes da venda: com quantas pessoas a saída acontece, com quanta antecedência você avisa e o que o cliente recebe se ela não acontecer.

O que fica fora do preço e precisa estar escrito

Preço sem as condições ao lado vira discussão no dia. Deixe claro, no orçamento ou na página de venda:

  • O que está incluído e o que não está: ingressos, alimentação, estacionamento, água.
  • Taxa do cartão: ou ela está embutida no preço, ou o Pix tem um preço menor. Parcelar sem juros também tem custo, e ele sai da sua parte.
  • Comissão de quem indicou: a pousada ou o concierge que manda cliente espera uma parte. Decida se o preço é o mesmo para quem chega direto e para quem chega indicado. Preço único protege a relação com o parceiro.
  • Imposto: o quanto pesa depende de como você está formalizado. Se ainda não está, leia se o guia de turismo pode ser MEI e quais são as alternativas. A alíquota certa é com o contador.

Como receber: sinal, cancelamento e o cliente que não aparece

Cobre um sinal na reserva, uma parte ou o valor todo, e deixe escrito, antes do pagamento, o que acontece em cancelamento e em não comparecimento. Sem isso, o dia que você reservou para um cliente pode virar dia sem receita, e você fica sem base nenhuma para cobrar depois.

Há duas políticas comuns, e as duas funcionam:

  • Pagamento integral antecipado. Faz mais sentido no privativo, em que um cliente ocupa o seu dia inteiro. O risco de falta fica com quem desistiu.
  • Sinal parcial, com o restante no dia. Converte melhor com quem ainda não te conhece e funciona bem no grupo, em que uma falta não derruba a saída. O risco é a parte não paga.

A escolha depende de quanto custa, para você, um dia bloqueado à toa. No privativo de dia inteiro, custa a diária. No grupo, custa uma vaga.

Um lembrete na véspera reduz esquecimento, e confirmar o ponto de encontro evita a falta por desencontro. O passo a passo para registrar a falta sem briga está em como registrar, cobrar e reduzir o no-show em passeios.

Quando aumentar o preço

O mercado costuma avisar antes de você perceber. Alguns sinais:

  • a alta temporada lota com semanas de antecedência;
  • você recusa pedidos por falta de agenda;
  • quase ninguém pede desconto;
  • clientes dizem, como o casal do começo, que acharam barato.

Se dois ou mais aparecem, o preço está abaixo do que o seu trabalho vale para quem compra. Reajuste primeiro para clientes novos; com operadora, é negociação.

Cobrar mais na alta e oferecer condição melhor na terça de maio é mais saudável do que um desconto fixo na página, que só redefine o seu preço para baixo. Se a maior parte das suas vendas começa nas redes, veja também como vender passeios pelo Instagram sem depender de sorte.

Resumo

  • Calcule a diária pelos dias que você vende de fato, não pelos 30 do mês.
  • Inclua no custo as horas que o cliente não vê: conversa, deslocamento, espera.
  • Cobre a meia diária acima de 50% da diária, a menos que a tarde seja vendida com frequência.
  • Não use o cachê da operadora como preço de venda direta.
  • No privativo, cobre por grupo e por bloco de horas, com hora extra combinada antes.
  • No grupo, calcule o preço pela ocupação que você atinge com segurança, não pela lotação máxima.
  • Escreva o que está incluído, o que fica de fora e qual é a saída mínima.
  • Cobre sinal ou valor integral antes, com política de cancelamento escrita.
  • Reajuste quando a agenda lotar com antecedência e ninguém pedir desconto.

Perguntas frequentes

Quanto um guia de turismo cobra por dia?

Não existe um valor único: depende da cidade, do idioma, da temporada e de como você está formalizado. Para chegar ao seu, some a renda que quer tirar no mês aos custos de trabalhar e divida pelos dias que você realmente vende. Depois compare com o mercado para ver se a conta fecha.

Posso cobrar mais caro que a operadora me paga?

Sim. Vendendo direto, você assume a venda, a cobrança, o atendimento e o risco de cancelamento que eram da operadora, e isso precisa estar no preço. O cuidado é não vender mais barato do que a operadora vende o mesmo passeio e conferir o que o acordo com ela permite.

City tour privativo se cobra por pessoa ou por grupo?

Por grupo, com faixa de tamanho. O seu custo quase não muda entre duas e quatro pessoas, então cobrar por pessoa faz o casal pagar pouco demais e a família de quatro pagar caro demais. Defina um bloco mínimo de horas, uma faixa de pessoas e o preço da hora extra.

Vale cobrar o passeio antecipado ou só no dia?

Vale cobrar antes, pelo menos um sinal. Sem pagamento antecipado, o dia que você bloqueou fica sem garantia nenhuma. No privativo, que ocupa o seu dia inteiro, faz sentido cobrar o valor integral. No grupo, um sinal parcial costuma bastar. Deixe a política de cancelamento escrita antes do pagamento.

Ingresso dos pontos turísticos entra no preço do city tour?

No privativo, o mais seguro é deixar fora, por conta do cliente, porque o valor muda com idade, dia e reajuste. No grupo, incluir simplifica a venda, desde que o ingresso esteja no custo por pessoa e o preço seja revisto quando o atrativo reajustar.

Preciso de um sistema para vender city tour?

Para começar, não. WhatsApp, Pix e uma planilha com a agenda resolvem quando você faz poucos passeios por semana. O sistema passa a valer quando a agenda enche: vagas vendidas em mais de um canal, sinal para conferir, lembrete para mandar e parceiro para pagar comissão começam a tomar o tempo que deveria ir para o passeio.

Como a AssincTour ajuda a vender o seu city tour

A AssincTour cuida da parte do preço que não aparece na tabela. Você vende pelo seu site, em domínio próprio, com calendário de saídas e pagamento por Pix ou cartão. No grupo, a venda trava quando a van enche; o privativo ocupa o horário e sai da oferta. O estoque é o mesmo no site, no balcão e no WhatsApp, e as conversas de WhatsApp, Instagram e e-mail chegam à mesma caixa de entrada. Lembretes saem 48 horas e 2 horas antes do passeio, a falta fica registrada com o reembolso correspondente, e a pousada que indica tem link próprio e comissão calculada por parceiro. Com poucos passeios por semana, você provavelmente ainda não precisa disso.